A Hora da Cabra

Doença de comunicados


Pode começar finalmente o campeonato nacional da primeira Liga de futebol para a AAC. O engano presidencial que foi a contratação de Rogério Gonçalves terminou após 7 pesarosas jornadas, nas quais a equipa de Coimbra nunca encontrou uma identidade – motivacional e futebolística. Culpo a face nunca revelada desta equipa pelo discurso enganador do seu treinador.   


Primeiro por querer ficar nas 7 primeiras posições do campeonato, fazer melhor do que Domingos Paciência e ao mesmo tempo apresentar em campo uma formação sem ambição e demasiadamente retraída e nunca alterada na sua mentalidade ultra-defensiva, de manutenção primária.  


Depois porque nunca soube encontrar uma verdadeira equipa, revelando total desconhecimento dos seus comandados. Entra Paulo Sergio, sai Paulo Sergio, entra Vouho, sai Vouho, Emidio Rafael – talvez não!, vamos experimentar ali o Miguel Pedro, o Licá, ainda o Lito pode dar, não dá! Demasiados enganos que jornada a jornada sugavam qualquer tentativa de identificação da equipa, de regularidade de processos. A Académica é neste momento um corpo sem alma, fruto das opções do seu ex-treinador.    


Mas todas estas considerações acabam por ser hoje, nada mais do que banalidades. O treinador já está fora e a doença (que Zé Nando falava) não se revelou letal para o corpo Brioso. Felizmente esta gripe atingiu muitos competidores da Primeira Liga, num começo demasiadamente atípico da principal competição do futebol português. Estamos a uma vitória do 12º lugar e a 5 pontos do 6º lugar. Ainda a tempo de medicar este paciente. Queira ele a sua própria recuperação, com um médico competente.    




Médico, remédio caseiro ou curandeiro?  


 


Dizem que as mezinhas antigas, os xaropes de cenoura e o tradicional mel com limão– receitas maternalmente amorosas cujos resultados animam mais o espírito  do que curam verdadeiramente o corpo batido – curam qualquer filho resfriado. Hoje temos a certeza que José Eduardo Simões recorreu ao remédio caseiro para tentar estancar o estado febril da Académica. Esta é a conclusão que podemos retirar do comunicado (depois de expurgado de todas as trivialidades que o constroem) da direção que hoje foi dado a conhecer:  


«até agora treinador adjunto, irá assumir, durante os próximos jogos, os destinos da equipa profissional de futebol»  


Retiramos, pois, uma de duas conclusões desta frase do comunicado:  


1) Zé Nando tem um par de jogos para demonstrar a eficácia do seu xarope de cenoura. Tem uma parelha de semanas para comprovar cientificamente que o seu chá de ervas caseiro funciona de modo a restabelecer a normalidade no mundo dos pretos.


2) O treinador está já escolhido e é um médico de renome. Está ausente do país por motivos profissionais e necessita de tempo para poder encontrar o seu paciente. Fosse a opção por qualquer médico lusitano disponível – e este já se encontraria de estetoscópio em punho, nos campos do bolão.    


Digo-vos já, que não me agrada a primeira opção. Revela uma de três premissas, nenhuma de boa índole. Demonstra ao mesmo tempo falta de coragem, insegurança e perda de tempo precioso de decisão.   


Se enquanto Presidente da Instituição AAC-OAF considera Zé Nando a melhor opção para treinador principal da equipa sénior, então assumo-o já, sem receio. A posição na tabela classificativa não deixa margem para que se dê tempo ao tempo, para além de colocar mais pontos de interrogação na mente de uma equipa, já de si, fragilizada. Não vou lançar um treinador sem experiência de primeira Liga à sua própria sorte. Se ele vencer, recolho os méritos pela minha opção ousada. Se ele tremer e perder, coloco o ónus na necessidade de uma escolha ponderada. Fragilidade, falta de coragem e desonestidade intelectual. Com esta opção demasiadamente «gambleadora» parece-me que a AAC tem muito mais a perder do que a ganhar. Uma roleta que pode por em causa os superiores interesses da instituição e a carreira imediata de um jovem treinador, de uma assentada.  


Por isso não me agrada de todo a opção Zé Nando, digo-o sem rodeios. Foi mal pensada e pessimamente executada. Não é cirúrgica é meramente paliativa. Revela «chico-espertice», não sendo considerada como um acto de gestão diretivo. A chicotada em Rogério Gonçalves foi dada no momento mais fácil para a direção. Esticou a corda ao máximo e agora experimenta Zé Nando num jogo tendencialmente acessível às cores negras. Ganhando ao Beira-Mar abre-se uma janela temporal de decisão. O jogo no Dragão é apenas gordura. Sair derrotado uma inevitabilidade, um empate ou vitória bonús para o elenco diretivo e para a posição do treinador.  Uma vitória no jogo seguinte, em casa, coloca o ex-Touriz definitivamente no comando das hostes coimbrãs. O problema é a fragilidade de uma decisão assente numa raiz enfraquecida. Resistirá a duas ou três derrotas a montante? Como reagirá o Presidente se depois de uma vitória em casa ante o Guimarães perdemos com Leiria e Setúbal (toc, toc, toc)? Fragilidade na tomada de decisão nunca conferiu força em momentos de debilidade.    


A segunda opção é a mais séria administrativamente falando, caso não se queira assumir Zé Nando hoje e já a escolha da direção. José Peseiro, Fernando Santos, Manuel José, o eventual resgate de Jorge Costa (de que falavamos já em artigos idos), no limite Manuel Cajuda são médicos capazes de reverter a situação, funcionando como verdadeiros operadores de bisturi, minuciosamente excisando os males da equipa – que não são muitos, diga-se. Conferem credibilidade. Quem coloca fatores económicos como impeditivos da contratação de um técnico ( ou médico) de renome, vale lembrar que os custos operativos de uma descida de divisão (toc, toc, toc) são infinitamente superiores aos gastos com um bom técnico no prazo de um ou dois anos. Além do mais é da competência de um bom gestor a negociação dos números de um bom contrato para a Instituição.    


Alerta final, deixamos, para a facilidade da contratação de um qualquer curandeiro. Cheios de poções, alho e oferendas em encruzilhadas, regra geral prometem uma salvação fácil que acabam em tragédia para o crédulo. Nesse momento o charlatão percorre já o caminho da estrada de outra aldeia, procurando a sua próxima vítima…  


Que a decisão seja, pois, ponderada. Que não se percorram os caminhos da facilidade ou da falta de coragem diretiva. A bem da Académica!


Nota: A Hora da Cabra é um espaço dos leitores. Tal como este texto também o seu pode ser publicado enviado um email para simplesmentebriosa@hotmail.com .

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