Dos primórdios à conquista da taça

Texto da autoria de Jorge Martins em 2007 para o Simplesmente Briosa

A) De 1887 a 1910

A criação da Associação Académica de Coimbra, em 1887, surge no contexto político marcado pelo estertor da monarquia constitucional. É uma época em que alastra a contestação ao regime monárquico e florescem as ideias republicanas.
Em termos económicos, é um período marcado pela crise financeira e por uma tímida industrialização. Com ela cresce a burguesia urbana, principal base de apoio do republicanismo.
Assiste-se ao nascimento da sociedade de massas e ao aparecimento do fenómeno do associativismo.
Coimbra é, então, uma cidade pequena, dividida entre a Alta dos “estudantes” e a Baixa dos “futricas”.
Contudo, é a sede da única universidade do país, atraindo alunos de todo o território nacional. Por isso, a sua importância é muito superior à sua dimensão.
Com origem nas ilhas britânicas, o desporto começa a despertar no seio das classes altas e nos meios estudantis dos países recém-industrializados. Em 1896, realizam-se os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna e, em 1904, é fundada a FIFA.
É essa influência britânica que facilita a penetração do futebol em Portugal. Tal como no estrangeiro, o novo jogo vai-se popularizando. No nosso país, surgem, inicialmente, vários jogos particulares e, na primeira década do século XX, os primeiros torneios regionais em Lisboa e no Porto.
Nessa altura, a AAC vai-se dedicando a outras actividades desportivas que não o futebol e a sua influência restringe-se ao meio universitário.

B) De 1910 a 1926

A implantação da República, em 1910, marca uma mudança de regime mas não da turbulência política e social.
Neste período, continua a assistir-se a um ligeiro aumento da industrialização e da urbanização, com o consequente crescimento do operariado. Contudo, o país continua a ser predominantemente rural.
A cidade continua a ser pequena mas vai-se expandindo para o eixo Avenida Sá da Bandeira – Praça da República, ligando a Alta e a Baixa.
Entretanto, com a criação das Universidades de Lisboa e do Porto, Coimbra perde o monopólio que, nesse capítulo, dispôs durante vários séculos.
Por seu turno, a popularidade do desporto cresce rapidamente, tanto no país como no estrangeiro. No campo do futebol, surge a maioria das Associações Distritais, que irão criar, em 1914, a União Portuguesa de Futebol (futura FPF). Pouco depois, é criado o Campeonato de Portugal, prova a eliminar, antecessora da Taça de Portugal. Estamos, porém, no tempo da “baliza às costas”: o amadorismo impera e a organização é incipiente.
É por essa altura que a AAC começa a dedicar-se ao futebol. Ao mesmo tempo, vão surgindo os seus rivais “futricas” (Sport Conimbricense, Nacional e, principalmente, o União). A Briosa participa no “Distrital” de Coimbra e consegue vários apuramentos para o Campeonato de Portugal, do qual é finalista em 1923. Apesar da derrota (0-3 em Faro, frente ao Sporting), a equipa estudantil vê o seu prestígio crescer na cidade.

C) De 1926 a 1939

Este período inicia-se com a instauração da ditadura militar, que degenerará no Estado Novo salazarista. Este conhece, então, o seu apogeu.
Salazar afirma as suas origens camponesas e promove uma ideologia ruralista, mas o êxodo rural começa a acelerar, originando a continuação da expansão urbana. Entretanto, a rádio ganha importância como meio de comunicação social.
A cidade vai crescendo, começando a anexar antigas aldeias próximas, como Celas.
Ao mesmo tempo, apesar de a sua universidade continuar a ser a mais prestigiada, começa a sofrer a concorrência da sua congénere lisboeta, favorecida pela capitalidade.
O futebol vai-se internacionalizando. Como corolário, realiza-se, em 1930, o primeiro Campeonato do Mundo, no Uruguai.
Por seu turno, em Portugal, é criado, em 1934/35, o Campeonato da Liga, primeira prova oficial disputada no sistema de “poule”. Contudo, a participação restringe-se a oito clubes de quatro associações (4 de Lisboa, 2 do Porto, 1 de Coimbra e 1 de Setúbal). Dará lugar, em 1938/39, ao Campeonato Nacional da 1ª Divisão. Já o Campeonato de Portugal foi substituído pela Taça de Portugal.
Neste período, a Briosa conhece altos e baixos ao nível desportivo. Contudo, apesar de alguns reveses, vai-se afirmando como o principal clube da cidade e do distrito. Por isso, consegue qualificar-se, como representante da AF de Coimbra, para as quatro edições do Campeonato da Liga. Todavia, as participações não são brilhantes, classificando-se sempre na segunda metade da tabela.
É, porém, no final deste período que a Académica consegue aquele que é, ainda hoje, o único título nacional de primeiro plano do seu futebol sénior: a conquista da primeira Taça de Portugal, em 1939, batendo o Benfica no campo das Salésias, em Lisboa, por 4-3. Um triunfo que abria as portas a um grande futuro!

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