Arquivos Diários: 3 de Fevereiro de 2012

O caloiro Luís Melo

Joaquim Miguel, José Afonso, Guedes Pinto, Albano Paulo, António Guerra, Carlos Pimentel, Isabelinha, Rui Cunha, Veiga Pinto, Filipe dos Santos, Cesário Bonito, Adriano Caseiro, Tibério Antunes, José Maria Antunes, Zeferino Pinto, Eduardo Lemos, Aristides Rosa, Taborda, Francisco Poupinha, José Veiga, Emílio Moreira, Pedro Azeredo, António Melo, Joaquim Branco, Eduardo Santos, Óscar Almeida, Milton Gamelas, Aníbal Costa, António Teixeira (Teixeirinha), Guilherme Wilson, Álvaro Duarte, Rui Gil, Mário Torres, Francisco Abreu, Malícia, Francisco Delfino, José Figueirinhas, Arménio Frias, Jorge Humberto, Manuel Balonas (Manecas), João Maló, Vítor Campos, Manuel António, Mário Campos, Luís Eugénio, Frederico Valido… e Luís Melo.

 

 

Antes de os tratar como jogadores, trate-os como senhores doutores. Esta é a lista dos atletas da Académica que terminaram o curso de Medicina e é aqui que o capitão dos juniores da Briosa, Luís Melo, quer pertencer um dia. O nome em itálico não surge por acaso pois o caloiro Melo ainda tem muitos exames pela frente mas a verdade é que, para já, o capitão da Académica cumpriu o maior objectivo a que se tinha proposto: entrar no curso de Medicina na Universidade de Coimbra.

“Desde muito pequeno que quis ser médico. Também quero ser jogador mas sei que são poucos os que chegam lá acima. Nunca descurei os estudos e hoje estou onde estou. Tive de ser sempre muito responsável e agora será uma vida nova para mim. Não foi fácil conciliar os estudos com o futebol, tive de abdicar de muitas coisas mas nunca faltei a um treino e cumpri sempre na escola. Sinto-me mais realizado a saber que jogo no sábado do que sair até tarde na sexta por exemplo. Não deixo que objectivos paralelos se intrometam nos grandes objectivos que tenho para mim.”. Foi desta forma, humilde e sincera, que Melo iniciou a conversa com o Site Oficial da Académica.

O discurso do médio dos juniores da Briosa impressiona tanto como as qualidades que o jogador evidencia dentro das quatro linhas mas em Melo não existem tiques de vedetismo. O atleta-estudante da Académica sabe bem o que quer e nem sequer quer ouvir falar em representar outro clube que não a Briosa.

“Sempre quis ser jogador de futebol na Académica. Não tenho o sonho de sair daqui. Ligo-me às pessoas do antigamente, que fizeram a vida em Coimbra, como o Rocha por exemplo. Sinto-me realizado. Em conversa com o João Nunes, meu colega de equipa, disse que o meu ídolo era o Gerrard, do Liverpool, e ele perguntou-me se não gostava de jogar lá. Eu respondi que o meu sonho era ter a minha carreira toda na Académica. Gostava de ser reconhecido em Coimbra por ter jogado só na Académica. Sei que é muito difícil porque a Briosa é uma grande equipa, de primeira divisão mas o meu sonho era manter-me na Académica até final da minha carreira.”, disse, sem hesitar, o capitão dos juniores da Briosa.

O facto de ser jogador da Académica não interferiu no facto de ter entrado em Medicina até porque na cabeça de Melo os limites entre uma e outra área estão bem definidos.

“Sempre pedi às pessoas para me verem de duas formas: na Académica como jogador, na escola como estudante. Nunca pedi para ter privilégios na escola porque sou jogador da Académica nem pedi privilégios na Académica porque entrei em Medicina. Gosto de ser visto de acordo com aquilo que faço.”, referiu.
 


Torna-se normal que a situação de Melo seja vista para muitos como um exemplo a seguir e o jogador fala da alegria que sente em ser visto como uma referência para os mais novos atletas das camadas jovens da Académica.

“O futebol é o meu sonho mas com trabalho conseguimos alcançar tudo. Deixou-me muito feliz ter falado com o pai de um atleta da Académica que me disse que ia falar do meu caso com o filho dele. Gostei de saber que serviria de um exemplo. Sendo capitão de juniores sinto uma grande alegria.”, adiantou.

Luís Melo, que está perto de completar os 18 anos de idade, afirmou que na Medicina gostaria de seguir Ortopedia ou Fisiatria, mas com preferência para a primeira, “por causa da componente cirúrgica”.

Não há dúvidas que a vida parece correr às mil maravilhas para Luís Melo mas não é menos verdade que o jovem sempre lutou por aquilo que quis e alcançar as metas a que se propôs terá de ser visto como um motivo de orgulho para a Académica que teve um papel fundamental na formação de Melo não só enquanto jogador mas sobretudo enquanto homem.

E agora, o que se segue? “Passar para o segundo ano de Medicina, subir os juniores e realizar contrato profissional com a Académica. Era o melhor que me podia acontecer.”

Palavra de caloiro, de capitão, e de futuro médico.

Site Oficial

3 de Fevereiro de 2012