Tenho saudades de assobiar o Paulo Adriano e o Nuno Luís

Voltássemos nós meia dúzia de anos atrás, e o primeiro que se atrevesse a dizer que ía ter saudades do Nuno Luís, era um claro candidato a sair da bancada a pontapé, e é preciso dizê-lo, na altura, pareceria algo que a pecar, seria só por leviana a atitude, nunca por exagero.
Hoje, lia as últimas novidades e esboçava mentalmente o que seria a nossa equipa do próximo ano, cheguei ao João Dias e lembrei-me do Nuno Luís. C’um caraças, aquele que de nós, hoje disser que quando sair o João Dias vai deixar saudades, ou tem direito a internamento imediato, ou deve receber o tratamento descrito acima, e que mais uma vez, só pode pecar por defeito.
Mas as equipas e os clubes também são isto. O saudosismo chama-nos, e olhamos para o passado e começam a chover memórias. Ah o Nuno Luís! E o Rodolfo, um que veio do Varzim no ano do Artur Jorge e que com o João Carlos Pereira foi SEMPRE titular? E por falar em trincos, o pedregulho do Paulo Sérgio?

Lembram-se uma altura que o Manuel Machado fez dele um trinco que recuperava bolas em todo o lado? Depois devolvia-as logo, mas isso era um pormenor porra! E aquele central que parecia todos os anos que ía ser suplente e acabava sempre por ser titular, o Danilo, alguém se lembra? E o Paulo Adriano que houvesse um campeonato dos jogadores mais vaiados e ganhava-o sempre? Que andava hora e meia sem correr, sem jogar, mas que não havia quem o tirasse de campo? E o nosso melhor amigo aqui no SB, o Cris? Esse craque dos passes longos, às vezes conseguia mesmo fazê-los a três e quatro metros (nem sempre, mas chegou a fazer).
Confesso-me um saudosista mas tudo isto foi a propósito do João Dias. Venha o primeiro dizer-me que o rapaz é um craque e o tratamento já está pensado (basta voltar às linhas cimeiras deste texto) mas cheira-me, que como qualquer um destes nomes acima, vai por cá ficar muitos anos, até ter demasiada idade para renovar já, aquela altura em que vai fazer um ano na segunda liga, mais um algures e depois sim é tempo de acabar a carreira profissional.
As empresas vão ter sempre o tipo que não faz nada de jeito mas que vai ficando por lá (agora lembrou-se de alguém em particular confesse lá) e as equipas o que não joga nada. Mas o que não faz nada de jeito faz falta no primeiro dia que sai, afinal fazia aquilo que todos sabem fazer, mas que ninguém apetece muito. O João Dias, o Nuno Luís, o Paulo Adriano e o Cris (hmmm, vá ‘tá bem) vão sempre fazer falta, mais que não seja porque nós precisamos de alvos fáceis para assobiar, ou para culpar na adversidade.
Os João’s Dias são fáceis de assobiar, mais tarde ou mais cedo vão fazer um mau corte e sabemos que não vão compensar a seguir com uma finta ou um passe maravilhoso, por isso não há risco de quem está atrás de nós na bancada gritar “fala agora oh *****!”. Mas os João’s Dias falham pouco, dão tudo, e são quem mantém os mais capazes acordados. Como em todas as organizações, no dia que os mais capazes quiserem descansar na sombra do conquistado, tem de haver a ameaça: se já não fazes a diferença tenho quem também não desequilibre, mas que é bem mais barato e que não me falha.
Espero que fique por cá muitos anos este nosso atleta, porque confesso, lá no fundo, eu gostava do Paulo Adriano. E do Danilo. E do Paulo Sérgio. E gosto do João Dias. Agora vou só esconder-me das pedradas, volto já. Ah, e do Cris!
Não, isso já era um exagero.
